Comunicação

Não seja alguém que entrega

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A rede de relacionamentos é um dos principais aliados profissionais (até aí, nada novo). Isso, inclusive, explica a existência de um monte de gente desesperada “querendo fazer networking”. Calma, people! Os vínculos que mais trazem resultados são aqueles criados num contexto em que a barra não estava sendo forçada. A troca frenética de cartões de visitas em eventos corporativos nem sempre vai fazer com que você seja lembrado. Tenho várias referências profissionais que conheci numa mesa de bar, nos corredores da universidade ou por meio de amigos.

Se o networking tem um peso enorme na nossa carreira, ele também impulsiona outro comportamento: o Quem Indica.  Ao menos uma vez por semana, algum amigo solicita recomendações de profissionais ou mesmo referências sobre o trabalho de algum candidato. E o mais bacana é que a hierarquia assume um caráter totalmente coadjuvante. Já indiquei ex-chefes, já fui indicada por pessoas que foram meus estagiários, já entrevistei candidatos que me entrevistaram em outras oportunidades e por aí vai. Tratando-se de carreira, o jogo muda o tempo todo, um dia você está por cima, no outro um colega com quem você nem falava assume uma função super estratégica para você ou um conhecido resolve empreender e a startup é um sucesso…  resumindo a ópera, na carreira não tem como vestir personagem: você é quem você é.

Eu mesma, já estive prestes a contratar uma pessoa e desisti numa conversa de bar em que um amigo me apresentou características que não consegui identificar no processo seletivo, como falta de comprometimento e reclamações excessivas. Obviamente, fatores circunstanciais podem ter influenciado este comportamento: a pessoa está insatisfeita com a política da empresa, tendo seu comprometimento afetado, por exemplo. Mas, sem conseguir avaliar todas as variáveis, a opinião de alguém de confiança adquire um peso gigante.

Há algumas semanas, me pediram referência sobre um ex colega de trabalho que estava participando de uma seleção. Falei a verdade: “olha, ele entrega!”. O fulano em questão não era um profissional ruim, mas nunca demonstrou paixão ou me chamou atenção por algum comportamento excepcional ou feito profissional. A frase “ele entrega” ficou o dia como um som recorrente na minha cabeça. Fiquei pensando no quão triste seria para mim ser reconhecida como alguém que entrega.

Entrega é o mínimo, é a base do seu trabalho, mas quem fica na base não cresce. Desenvolver um diferencial é essencial para a carreira e também para sua felicidade, indo muito além das paredes corporativas. Quando você consegue ser visto por algo que poucos possuem, a entrega nem precisa ser mencionada, pois está subentendida.

É prazeroso quando conseguimos falar de alguém com brilho nos olhos:

 

José? José tem uma sensibilidade incrível na gestão da equipe, com um controle e adesão incomparável das pessoas com que trabalha. Sabe ouvir, executar e fazer com que todos se envolvam nos projetos, trazendo benefícios tanto para baixo (funcionários) quanto para cima (empresa).

 

João é comprometido demais. Se você tiver procurando alguém com quem contar ou para ser seu braço direito, pode contratá-lo de olhos fechados. Quando trabalhamos juntos, havia situações em que eu passava um briefing no início da manhã, ficava ausente do escritório durante todo o dia e, ao voltar, tinha a certeza de contar com um trabalho surpreendente.

 

Falar da Maria é fácil. Ela ainda tem pouca experiência profissional na área, mas, sem dúvida, é muito acima da média. Demonstra curiosidade, iniciativa e uma facilidade incrível em assimilar conhecimentos e feedbacks. Se você investir em coaching, em pouco tempo contará com uma funcionária que irá puxar o nível do restante do time para cima.

 

Estes três depoimentos são reais e recentes, feitos por mim sobre pessoas com quem trabalhei e admiro. Pessoas muito diferentes entre si, mas que desenvolveram habilidades para serem mais do que entregas, se transformando em profissionais de uma troca enriquecedora.

Coloque tesão no seu trabalho, desenvolvendo um jeito próprio de ser e fazer as coisas e um diferencial competitivo a partir das suas características. Nosso tempo é muito precioso para apenas entregarmos. Passamos uma boa (senão a maior) parte da vida nos dedicando ao nosso trabalho e precisamos fazê-lo agir a favor da nossa felicidade.

Queira fazer mais e fazer diferente e, caso não consiga, é sempre válido fazer uma avaliação da sua carreira, pois talvez você precise mudar o rumo para dar e ter mais do que entregas.

O que aprendi? Nunca mais indicarei alguém que só entrega.

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