Comunicação

Trabalho e paixão, uma relação não tão direta

Há algum tempo venho dedicando um tempo maior a aprimorar minha carreira. Tenho tentado conversas com amigos, livros, blogs, cursos online e todo o tipo de troca que me faz refletir sobre minhas práticas e trajetória profissional.

Não bastasse eu mesma me colocar em análise, muitas pessoas com as quais  convivo compartilham angústias e dúvidas similares às minhas, independente do momento profissional. No entanto, invariavelmente, o primeiro apoio encontrado é o clichê “encontre seu sonho”, principal recorrência literária na temática.   Antes de tudo, preciso parafrasear Scott Adams: o problema com a paixão é a ênfase dada a ela.  Me incomoda muito essa posição “O Segredo” de que o sucesso está centrado no sujeito, em correr demasiadamente atrás do sonho e do desejo. Não está e creio que essa imagem que nos venderam desde crianças (corra atrás dos seus sonhos) é uma das responsáveis pela insatisfação crônica nos ambientes de trabalho, da instabilidade emocional com que enfrentamos nosso dia-a-dia profissional.

O mundo do trabalho é muito dinâmico, coisa difícil inclusive para compreensão de gerações mais vividas como as de nossos pais.  A estabilidade tão sonhada não existe mais, as prioridades de carreira deixaram de ser centradas num único ponto para ceder lugar a um conjunto que inclui valores pessoais, aptidão,  ascensão financeira e deadline de concretização.

É aí que o “encontre seu sonho” cai por terra. No meu ponto de vista: o ponto X da questão é transformar o que você precisa fazer no mais prazeroso possível, com um desgaste que permita você acordar bem na maioria dos dias, criar laços prazerosos no ambiente de trabalho e construir algo que realmente faça sentido para você. Que o peso positivo seja maior a fim de que você possa pagar contas, aprender e evoluir profissional e pessoalmente. Se for o seu sonho, ótimo. Se não for, que seja bom mesmo assim.

Todas as pessoas que admiro profissional e pessoalmente não tem um único sonho. Têm vários e todos são maleáveis, apesar de intensos.

Tenho uma amiga com quem convivi pouco, apesar da minha vontade de dividir e explorar muito mais o nosso vínculo. Ela é radiante e a conheço há uns 5 ou 6 anos, sendo que neste tempo ela já trabalhou em várias frentes diferentes, mudou de cidade, empreendeu e se despedaçou em algumas decepções.  Recentemente, a encontrei num happy hour numa visita ao Brasil (hoje ela trabalha com inovação no Vale do Silício) e tive a certeza do quanto me inspira profissionalmente. Por quê? Pelo brilho no olho. O sentido pra ela  parece ser experenciar e moldar vários e mutáveis desejos, expectativas, inquietudes e colocar tudo isso em prática, não como algo estático e resolutivo, mas como um aprendizado significativo que a preenche nos seus valores mais profundos.

Aí está um bom começo: olhe para o lado. Antes de descobrir seu grande e magnífico sonho, seus amigos podem ser ótimas fontes de inspiração para pensar sobre carreira.

PS 1: neste post da Fast Company, The Secrets to career contentment: don’t follow your passion, o tema é abordado com muita inteligência e num tom muito próximo do que eu penso sobre carreira.

PS 2: dica de leitura da Mariana, este post do Blog Contente também traz informações ricas sobre o que existe no trabalho tal como ele é organizado hoje, que nos faz perceber esse buraco entre produção e felicidade.

Enjoy 🙂

passion

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