Comunicação, Opinião

Não é o troco do meu coração!


Sou leitora assídua do Blog Ocappuccino, mas hoje ao acordar me deparei com um post que me motivou a escrever. Admiro o conteúdo do blog, a importância que tem para a profissão de Relações Públicas e principalmente a representatividade pelo fato de ter nascido na minha Universidade (agora eu fui bairrista, hehe)! Mas acho que discordar é rico! Então, segue minha manifestação:

Vai parecer uma proclamação esquerdista isso (eu sei), mas nos últimos dias meu maior grito tem sido contra a @ciazaffari, aliás, justamente contra o Troco do Coração. Inclusive já bradei contra a @cdlpoa no twitter e nenhum retorno. Mas OK, concordo em discordar. De qualquer forma acho justo expor meus argumentos:
Primeiramente, doar não é conceito de responsabilidade social (muito menos quando as doações NÃO são institucionais). Seria, se o caso fosse, filantropia no caso do próprio Zaffari doar um pouco do seu montante. Mas não é.

Me sinto desconfortável sendo interpelada todos os dias: moça, quer doas 3 centavos pra fulano? Sim, porque eu sou vizinha do Zaffari e freqüento suas dependências todo santo dia. Pobres atendentes ficam todas constrangidas quando digo que não. Depois ainda vejo nos meios de comunicação a Cia Zaffari fazendo um belo Marketing Institucional às custas dos clientes, vendendo a idéia como uma bela iniciativa.
Ora bolas, sabemos mais que bem que o faturamento do Zaffari não é pequeno (até porque eles prezam pela qualidade e capricham no preço – aliás, ótimo posicionamento de mercado). É uma hipocrisia vender uma imagem de responsabilidade social quando não saiu nenhum centavo de um bolso muito rico. Seria honroso e aplaudiria em pé se visse nas manchetes: Cia Zaffari doa tanto percento de seu faturamento à Santa Casa de Misericórdia. Mas não, para mim soa como: fulana, sua palhaça, o Zaffari está usando todos os seus centavos doados para dizer que ele faz responsabilidade social.

Aí pode algum defensor do “FAÇA SUA PARTE” dizer: ah, mas pelo menos tu te sente menos mal, te sente bem em contribuir com alguma coisa no mundo. Doar não é a melhor forma de contribuir penso. Evoquemos outros conceitos de cidadania, que inclusive podemos exercer no nosso dia a dia, como respeito e educação a nossos semelhantes – aqui se inclui também os diferentes -, doação de sangue, trabalho voluntário em alguma instituição de caridade, entre inúmeros outros. Doar centavos como forma de amenizar a culpa é escapismo.

Penso em cidadania sim. Aliás, discordo (de novo) de que “o que não tem remédio, remediado está”. Mais uma vez: escapismo. Quero que as caixas tenham moedas de um centavo ou que os preços abandonem a demarcação dos 99 centavos (sempre!) pra nos dar a impressão de que pagamos menos. Quero parar de me sentir constrangida e constranger a caixa ao dizer que não quero doar. Digo sempre NÃO AO TROCO DO CORAÇÃO, porque meu coração é mais nobre que isso.

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10 thoughts on “Não é o troco do meu coração!”

  1. Cara Cinara,
    para nós, a sua opinião é muito importante. Sobre a sua manifestação, e buscando ampliar sua visão sobre nossa empresa, gostaríamos de expor algumas informações que não costumamos divulgar. O Grupo Zaffari mantém relações de assistência social (doação de verba e alimentos) com 15 instituições gaúchas dedicadas a pessoas em vulnerabilidade social, e de patrocínio com mais nove projetos dessa natureza, além de outros ligados à educação, cultura e proteção ao meio-ambiente. Em 2009, essas iniciativas somaram cerca de R$ 4.500.000,00. Essa atuação da Cia. Zaffari não é conhecida pelo público, pois optamos em não fazer publicidade a respeito. No caso da campanha Troco do Coração, a publicidade é necessária para fomentar a adesão da comunidade, como é o caso da Campanha do Agasalho. A participação do Grupo Zaffari na campanha Troco do Coração é pautada pelo conceito de voluntariado, que estende estruturas e/ou habilidades do voluntário em favor de outras pessoas ou organizações. Ou seja, além de disponibilizar a abrangência da rede de lojas Zaffari e Bourbon para a captação das doações, a empresa também investe no treinamento de funcionários, em tempo e valores no incremento da tecnologia que possibilita contabilizar automaticamente os valores doados e fornecer ao doador um comprovante eletrônico seguro. Se você achar que vale a pena reconsiderar o assunto, convidamos a acessar a seção Notícias do nosso site (www.zaffari.com.br), ou a página da Fundação Pró-HPS, instituição que já fez a aquisição de dois lotes de equipamentos com a verba doada, para verificar os resultados obtidos já divulgados. Seria muito bom contar com a sua participação e interação. Para qualquer outra informação adicional, estarei a sua disposição pelo telefone (51) 3337.3111.

    Cordialmente,
    Denis Alessandro
    Gerente corporativo de marketing
    Cia. Zaffari

    1. Olá, Denis!
      Primeiramente quero agradecer pelo retorno, pois são ações como essa que mantém o Zaffari como marca lembrada e querida dos gaúchos. Quero dizer (como disse no post), que admiro o Zaffari pelo seu posicionamento e pela forma que o distingue dos outros supermercados.
      Acho louváveis todas as ações da organização em prol da responsabilidade social (e sim, eu, como a comunidade em geral, não tinha esse conhecimento). Minha crítica foi restritiva ao Troco do Coração, pois enquanto cliente me sinto realmente desconfortável.
      E quero deixar claro que meu fervor é moral e pessoal – como cliente e como ser humano, não me sinto mais ou menos responsável doando três centavos e sabendo que a vantagem vai ser para a Cia Zaffari que ganha (e muito) em imagem. Mas OK, sigo a opção de não doar. Enquanto profissional de comunicação, no entanto, acho a campanha estratégica, bem planejada e que gera ótimos resultados (visibilidade e retorno positivo de imagem, sobretudo), haja visto pelo retorno de críticas furiosas que este post opinativo recebeu em defesa do Zaffari.
      De qualquer maneira, visitarei as páginas sugeridas para conhecer as outras campanhas e agradeço pelo feedbak.

  2. aiii finalmente mais uma pessoa que não concorda com esse ‘troco do coração’!
    pq a história real é assim:

    -tu quer doar 3 centavos para o HPS, a Sta. Casa ou o Zaffari?

    o troco NÃO será teu de qualquer forma, ninguém devolve 3 centavos! a diferença é que agora me restam três opções…
    ok, acordei louca.

  3. Ontem estive no Zaffari (Ipiranga esquina Vicente da Fontoura) e além de discutir para receber o troco ao qual desisti, porem nunca recebi o tal comprovante de doação, e se o Zaffari quer usar o meu dinheiro deveria informar explicitamente tipo como” O senhor doa o troco de centavos para o Zaffari utilizá-lo na sua declaração de imposto de renda pessoa jurídica como doação para a santa casa ou HPS”, ou seja, o meu dinheiro adquirido de forma constrangedora na boca do caixa na frente de todos os demais o Zaffari usará como se fosse programa de ajuda social dele para o HPS e Santa Casa como escrito ai acima pelo Denis Alessandro Gerente corporativo de marketing Cia. Zaffari. Onde está o ministério publico para coibir essa pratica constrangedora e fiscalizar?

  4. Não tenho muito a comentar sobre as declarações acima, somente vejo interesses pessoais de ambas as partes, o Zaffari quer ganhar visibilidade fazendo o que sempre faz, filantropia, porém quer a participação da comunidade para tal, e algumas pessoas que não acham justo doar míseros centavos para uma “grande empresa” fazer marketing com seu dinheiro (Utilitarismo bilateral). Eu dôo o meu troco, porque 3 ou 5 centavos não vão fazer a menor falta, pois um dia precisei do HPS e agradeço por naquela época ter plano de saúde. Só espero que as mesmas pessoas que criticam a iniciativa do Zaffari não sejam doadoras do “Criança esperança” e “Teleton”, aí já é hipocrisia demais!! Estamos em um país democrático e essa discussão é muito válida, aprecio pessoas com senso crítico e que não sejam conformistas, mas para algumas pessoas que não tem tempo disponível de praticar ações de voluntariado, como descrito no post, o troco do coração é uma forma segura de ajudar, melhor do que dar moedas a uma criança no sinal.
    Cinara, entendo e respeito teu posicionamento, e achei a resposta da Cia. Zaffari um pouco vaga, isso está me deixando um pouco irritado, confesso, pois não é a primeira vez que vejo essas respostas e tenho a impressão de que são meio “Ctrl+C Ctrl+V”.
    Abraço!!

  5. Olá:

    Essa história do TROCO DE DOAÇÃO é bem polêmica (e até DUVIDOSA)!
    Espero e mesmo que tal dinheiro VÁ PARA ESSAS INSTITUIÇÕES… Pois precisam e muito de recursos/apoios mesmo.
    Não lembro onde li que o valor arrecadado com tais doações estava em torno de MILHÕES… Isso mesmo!
    Até há alguns dias: um cara que trabalha como policial/afim – que estava na minha frente em um caixa, perguntou à moça desta para onde ia o dinheiro (se FUNCIONAVA MESMO); e tal respondeu que já lhe haviam feito a mesma pergunta…
    Parece que ainda há dúvidas a respeito!

    Valeu,
    Rodrigo Rosa (PoA)

  6. Concordo com você!
    O “Seu Zaffari” quer fazer filantropia com o dinheiro dos outros, ahaam… agora se eu chegar la e compra algo e faltar 5 centavos, vou fazer esta pergunta “o zaffari não quer doar 5 centavos…”?

  7. Zaffari fazendo doações e se promovendo usando o dinheiro de seus clientes. Nunc apensei em entrar num Zaffari para fazer uma doação e sim comprar, pagar e receber o troco: uma Lei comum no comércio e a única ceitável. E aí Zaffari? Tá doando mesmo o dinheiro recoclhido dos clientes? Ou será mais um embuste como o famigerado Criança Esperança da Globo? De supermercado exemplar passou a ser, na minha opinião, um trapaceiro barato!

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